quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Ok, mãos na massa!

Produzir um curta-metragem sem nunca ter sequer manuseado uma câmera pode ser complicado. Mas com um pouco de dedicação, nada é impossível.


Todo semestre a professora de semiótica, Maria Érika, promove a mostra de curtas de Semiótica. São dois dias só com produções dos seus alunos com todo tipo de trabalhos audiovisuais. É um verdadeiro Deus nos acuda, porque são aproximadamente 70 estudantes (Rádio/TV e Jornalismo) se desdobrando para produzir um trabalho, que em sua maioria nunca tiveram experiência no ramo. Escrever roteiro, selecionar elenco, pensar em cenários, maquiar, produzir, iluminar, gravar... bem, só a produção já engloba metade de tudo que falei e mais um pouco, sem falar na bendita edição, considerada por muitos como bicho-de-sete-cabeças (oito talvez).

Pensando nisto, este que vos escreve preparou uma seqüência de "matérias" para orientar um pouco quem precisa de uma forcinha nesse semestre e quem sabe para os próximos na produção do curta. Eu poderia começar por roteiro, mas preferi pular essa parte, já que considero a sua produção um pouco íntimo de cada um. O formato e algumas informações serão passadas em sala de aula pela própria professora e, quem sabe, outro colaborador do blog que seja mais indicado para isto venha a escrever a seguir sobre roteiro.

Direitos Autorais

Antes de mais nada, lembrem-se que após a mostra de curtas seu trabalho não morre aí! Você tem "n" possibilidades de aproveitá-lo da forma que quiser, enviando para concursos, mostra de independentes, congressos... como foi o caso de Larissa Marinho, inscrita no Expocom, ganhou prêmio na categoria Audiovisual com seu curta desenvolvido primeiramente para Semiótica "Jah Fiz minha parte, e vc?". Só que você precisa tomar cuidado com o material usado no curta, se ele possui ou não os direitos reservados. Porque muitas vezes, você pode utilizar esse material em trabalhos sem fins lucrativos, a nível universitário, mas noutra ocasião como num concurso, as coisas mudam. Se o concurso for realmente sério, a organização pode exigir toda a documentação e autorização de uso dos seus recursos ou então passa batido e se algum autor perceber ele pode te processar. Simples assim.

Mas não se aflija, meu jovem. Há uma solução. Graças a uma história que começou na produção de softwares, surgiu em 1984 uma coisita chamada Copyleft. Em suma, é como se fosse a versão inversa de Copyright (que a tradução seria "Direitos de Cópia"... nosso inimigo de agora), mas não chega a ser domínio público, porém seu uso é liberado desde que em algum local do seu trabalho contenha os créditos e a hospedagem de onde você tirou aquele material. Há dois tipos de copyleft, o "parcial e o completo". Este último o nome já diz tudo, não é? Você pode modificá-lo sem problema, fazer o que achar melhor desde que haja creditação (ou seja, créditos para o autor e onde você achou o material no final de seu curta!). Mas o "parcial" exime algumas partes do trabalho das obrigações do copyleft ou de alguma forma não impõe todos os princípios dele.

Um exemplo de copyleft "parcial" é a licença Criative Commons. Eu poderia explicar do que se trata, mas há um vídeo muito bom disponível no youtube que explica tudo:



Colocando em miúdos, é importante se preocupar com esse tipo de coisas, pois isso é que nos torna verdadeiros profissionais. Acesse o site da Wikipédia e entenda mais o que é copyleft.

"Toca aquele áudio lá depois do frame!"

Vamos começar nossa falação apresentando alguns recursos de áudio que você pode utilizar na edição de seu curta. Apresentar primeiro esse material de áudio foi optado porque é um assunto simples, divertido e é um requisito que pode tornar seu curta emocionante, engraçado ou chato e paradão. Estamos falando de sonoplastia, efeitos sonoros e não apenas de trilhas!

Uma coisa que sinto falta na produção de alguns trabalhos audiovisuais do curso feito por iniciantes é a dedicação direcionada apenas às imagens. Mas espere, estamos falando de "audiovisual", ou estou errado? O que forma um bom documentário, curta ou videoclipe não são apenas boas imagens com uma musiquinha mp3 ao fundo. É preciso ter planejamento, ser meticuloso e estratégico na aplicação de um bom acervo sonoro.

O meu objetivo aqui é apenas despertar o interesse em vocês. Fazê-los refletir sobre seus futuros projetos. Não me cabe entrar em detalhes com definições precisas sobre os termos técnicos e tudo mais, até porque não foi assim que eu aprendi, foi apenas naquela velha e boa vontade de querer assimilar tudo o que há a minha volta. Vamos dizer que eu quero "apenas te mostrar a porta, você é quem irá atravessá-la", já dizia Morfeu (Matrix).

Assim, vamos a algumas coisinhas básicas:

Antes de mais nada, você precisa de um pacote de codecs em seu PC para ele decodificar todos os tipos de arquivos de áudio e vídeo necessários. Mas tio CABW, o que é codec? CoDec é o acrônico de Codificador/Decodificador, dispositivo de hardware ou software que codifica/decodifica sinais (by Wikipédia). O pacote de codecs que eu acho mais indicado a passar-lhes é o K-lite. Um pacote simples, completo, leve e gratuito (devemos adorar esta palavra).

Clicando aqui você pode baixá-lo a partir do site Baixaki.

Outro software indispensável na minha opinião é o Sound Forge. Um editor/criador de áudio digital que até sua versão 6 chamava-se Sonic Foundry, Sound Forge ou Forge, até que a Sony comprou os direitos autorais (lembram-se desse nome assustador?) e agora chama-se Sony Sound Forge, atualmente na versão 9. O Forge é simplesmente uma ferramenta fundamental a qualquer produtor ou editor que se preze. Suas funções são inúmeras, entre as principais:

  • Converter arquivos no formato WAV para MP3;
  • Editar, copiar, colar, apagar, retocar e incrementar trechos de uma composição;
  • Fazer suas próprias gravações através do seu microfone e editar o que você falou;
  • Adicionar recursos de fundo, vibração, eco, filtragem de voz, aceleração e desaceleração da música, eliminação da voz, distorção, reversão musical, amplificação de modulação, acústica, normalização, efeito fade e volume;
  • Copiar de e para CDs;
  • Ampliar as marcas vocais exibidas;

Você pode baixar a versão 6 do programa junto com a keygen (esqueçam os direitos autorais) neste link. Escolhi essa versão, apesar de já estar na nona, pois é a mais acessível, básica e leve que pode ser encontrada na internet. E também um resumido manual em português que quebra galho de qualquer iniciante. Não se preocupem, pois eu já testei todos os links, instalei o programa e uso até, ou seja, não há vírus e nenhum perigo para sua máquina nestes links.

Ao que interessa:

Eu não poderia vir aqui, falar sobre direitos autorais e bla bla bla, sem pelo menos deixar algumas alternativas interessantes de material copyleft para você formar seu acervo de efeitos sonoros.

Para trilha sonora - Neste quesito, selecionei ótimos três sites que só trabalham com material copyleft, os quais são:

Para efeitos de áudio - Aqui as possibilidades são infinitas. Mas selecionei uns endereços especiais que vão os ajudar muito:

  • SoundXtras e Soundsnap - São dois fóruns ótimos e repletos de material de efeitos. Tudo o que você quiser, é possível encontrar nesses dois locais e baixar para seu PC em formato WAV ou MP3. Para fazer parte é só você se registrar e pronto, pode baixar todos os efeitos de lá como também hospedar seus próprios.
  • PACDV e Ozorio Home - São dois sites com material fixo de efeitos. Não precisa de nenhum registro, apenas vontade de baixar.
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Por enquanto, paro por aqui. Na seqüência, pretendo abordar um pouco mais aprofundado sobre a edição em Premiere. Até lá.

Um comentário:

Anônimo disse...

Adorei as dicas!!!