domingo, 5 de outubro de 2008

Ok, mãos na massa!²

Entrevista: aquele drama que seu documentário precisa

Certo, eu disse que esse atual post seria sobre o premiere, mas é que um contribuinte do blog mandou um material tão interessante que eu não poderia deixar de postar aqui o quanto antes.

O texto apresentado a seguir foi enviado por Renato Cirino, jornalista formado pela UFG, vencedor do Expocom 2008 na categoria Áreas Emergentes - Audiovisual com o vídeo-documentário Vox-Populi: Reconhecimento da Sabedoria Popular.




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Entrevista:

Vivenciar com o entrevistado, a filmagem não pode ser aquela coisa fria, indireta a meia distância como é no telejornalismo. No documentário existe sempre a tentativa de encontrar o outro.

Entrevista – troca de subjetividades o entrevistador deve se abrir para receber o outro.

O que está em jogo são interpretações da verdade, sentimentos e sensações, visões de mundo diferentes e singulares, não o saber objetivo, positivo e fechado em si mesmo. Mas a quem as interpretações se dirigem? Ao público. A câmera se faz as vezes de público. A imagem, a fala, os gestos, tudo passará sob o crivo do olhar público. O entrevistado sabe disso e orientará sua ação de acordo com essa premissa, assumindo também um papel e expondo aquilo que, consciente ou inconscientemente, julga ser mais importante e interessante para quem vai vê- lo ou ouvi- lo. Ou seja, o entrevistado se assume como personagem.

As pessoas/personagens são complexas, contraditórias, e é nessa complexidade que vai residir a força de cada um. A personagem, aqui, diferentemente da dramaturgia clássica 5 , é construída, segundo Xavier, pela “sua própria narração em relação ao seu passado, ela se constrói narrando a própria história e ela se constrói na atitude que ela tem diante de câmera e entrevistador".

Ou seja, as entrevistas, no documentário, se configuram como o espaço do drama por excelência. É na imprevisibilidade de um drama sem roteiro que falas fragmentadas, silêncios expressivos, sensações e sentimentos discordantes, avaliações disparatadas e gestos nervosos geram o sentido. Nas entrevistas, não são propriamente as pessoas que aparecem na tela, mas as personagens criadas e delineadas pelo e no encontro com o cineasta, em presença da câmera.

“O sentido da ação da personagem [está] na exclusiva força de sua oralidade quando em interação com o cineasta e o aparato técnico”,

Respeitar o silêncio - “o pior de tudo é quando você não respeita o silêncio, que podia dar em alguma coisa, por ficar ansioso demais” (Eduardo Coutinho). A entrevista não suscita somente o verbal, saber ouvir é primordial

O documentário é no mínimo bilateral – equipe e publico e ainda é levado também pelo entrevistado.

Tipos de entrevistas

Para Nichols (2005, p. 135-177), a entrevista é uma característica do documentário participativo, no qual o cineasta interage com a realidade. Os demais tipos são o poético, que reúne fragmentos do mundo de modo poético; o expositivo; que trata diretamente questões do mundo histórico; o observativo, que evita o comentário e a encenação (observa e registra as coisas como acontecem); o reflexivo, que questiona a forma do documentário; e o performático, que enfatiza aspectos subjetivos de um discurso classicamente objetivo.


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